Esse ano eu desejei achar alguém, um amor que fisesse sentir algo no coração entorpecido que eu guardo aqui no peito. Desejei me apaixonar. Viver um grande amor que virasse meu mundo de pernas pro ar, que mudasse a forma que eu via as coisas e me inspirasse a fazer belas composições.
Esse ano, eu desejei alguém. Esse ano, eu o encontrei. E ele era exatamente quem eu queria. Era ELE, e ninguém era melhor aos meus olhos. Ninguém se comparava a ele, ou chegava a seus pés. Eu encontrei o alguém que e eu sempre quis, e eu o tive... E o tive como eu sempre sonhei ter: em meus lábios, em minhas mãos, entre minhas pernas e dentro do meu coração.
E o amor? O amor estava lá. Ele era real. Ele já existia, e teve sua grande chance de crescer e ser cultivado. Mas eu o vivi sozinha. Eu amei sozinha, e o cultivei... sozinha!
Aquela épica história de amor? Aconteceu apenas dentro da minha cabeça, nas minhas mais loucas fantasias.
Mas e o que acontece quando você percebe que já não dá mais? Quando tudo te indica de que é preciso que você use de todas as suas forças para dar um basta nisso? O que acontece quando você percebe que está na hora de se amar mais do que a ele? Esse é o momento em que não tem mais volta, tudo está acabado. Se nem mais você, que ama, acredita que vale a pena lutar por isso, é o fim!
"I can't win your loosing fight all the time!"
Aí, nessa hora, você vira e se pergunta: "Como eu me permiti chegar a esse ponto? Sempre fui tão cuidadosa com esses assuntos do coração... Como foi que eu me deixei cegar assim?"
Acho que nem sempre podemos estar no controle das coisas. Nem sempre podemos saber, prever ou determinar o que vai acontecer. E isso é viver. Eu acho...
A única coisa que não faz sentido nisso tudo é esse sentimento imbecil que toma conta de mim. Quer dizer, eu sabia dos termos do contrato ao assiná-lo. Eu não posso dizer que eu estou surpresa pela forma como as coisas acabaram. Eu sabia no que eu estava me metendo! Então porque essa agonia? Porque essa sensação de falta de ar? Porque essa vontade de deitar, dormir e nunca mais acordar? Porque, mesmo eu sabendo claramente que as coisas seriam assim, eu fechei meus olhos à realidade e me deixei acreditar que seria diferente?
A dor que eu sinto, não tem fundamento. Não faz sentido. É incoerente! Mas tente me convencer de que não é real. Tente me dizer de que essa dor vai passar. Tente me dizer que daqui a alguns meses, toda essa angústia vai parecer algo simplesmente momentâneo. Tente me convencer disso... Só tente... E você verá que será em vão. Sim, as lágrimas vão secar, e a dor, um dia, vai passar. Mas quando seu coração está em mil pedaços não adianta colar cada pedacinho de volta. Por mais cuidadosa e perfeita que essa colagem venha a ser, as cicatrizes continuam lá, invisíveis, impiedosas e dolorosas.
O amor é incondicional. Mas também pode ser imprevisível, inesperado, incontrolável, insuportável e muito fácil de ser confundido por paixão. Mas mesmo assim eu amei. Eu não acreditava que eu pudesse vir a sentir isso de novo, mas aconteceu. Meu coração... era como se meu peito mal conseguisse contê-lo. Era como se ele quisesse fugir, porque já não pertencia mais a mim, mas sim a ELE. E se ele quisesse meu coração, eu o entregaria sem exitar, sem pedir nada em troca. Nenhuma demonstração de amor, nenhum presente, nem promessas de me dar a lua e as estrelas no céu... NADA! Eu não pediria por nada... Nada além do coração dele em troca do meu. Mas isso ele não podia me dar... E eu tentei lutar, lutar por algo que foi real pela primeira vez em muito tempo na minha vida. Mas não aconteceu.
A dor é insuportável e agora tudo parece perdido. Mas não foi em vão. Apesar de tudo, não mudaria nada! O coração quer o que o coração quer. E mesmo que não conseguir o que ele deseja seja trágico, eu prefiro mil vezes a tragédia. Como já dizia Toquinho:"Não há mal maior que a descrença. Todo amor que não compensa é melhor que a solidão."